A FORMAÇÃO DA NAÇÃO FILIPINA-SEMELHANÇAS
COM O BRASIL
O arquipélago das Filipinas possui
uma área total de 300.000 Km2 e está localizado no sudeste
asiático, entre o mar das Filipinas, o mar do sul da China
e do leste do Vietnã. O território foi ocupado pelos
espanhóis no século XVI, que lá permaneceram
por mais de 300 anos. As ilhas se situam em região próxima
ao equador terrestre, assim como o Brasil, e são habitadas
por populações malaias de raça mongol. Os idiomas
oficiais do país são o filipino e o inglês. O
inglês, evidentemente, por causa dos colonizadores americanos,
que lá permaneceram de 1901 a 1946. Apesar de o país
ter sido colonizado pela Espanha, o espanhol é falado por menos
de 1% da população. A religião dominante no país
é o Catolicismo. Aproximadamente 85% dos filipinos são
seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana. Como
nos demais países latino-americanos de colonização
espanhola, a sociedade está dividida entre ricos e pobres,
privilegiados e desprivilegiados.
Pelo menos no que diz respeito à participação
da Maçonaria, são muitas a coincidências entre
a História das Filipinas e a História do Brasil. A lutas
que resultaram na independência das Filipinas ocorreram no final
do século XIX e na primeira metade do século XX. As
coincidências são tantas que parece que os eventos ocorridos
entre o final do século XVIII e meados do século XIX
no Brasil serviram de modelo para os movimentos e lutas desenvolvidas
pelos maçons filipinos no final século XIX e primeira
metade do século XX.
A exemplo do Brasil, os filhos das famílias mais abastadas
das Filipinas iam estudar na corte. Foi assim que o Dr. José
Rizal, herói máximo daquele país - o Tiradentes
daquele povo -, tomou conhecimento dos ideais republicanos. José
Rizal foi elevado a mestre maçom em 15/11/1890 na Loja Maçônica
Solidariedad, em Madri, Espanha. De regresso a seu país, lançou
uma campanha contra o colonizador espanhol escrevendo artigos que
expunham os abusos e as agressões perpetradas pela Espanha
contra o povo filipino. Rizal, além de médico, foi um
talentoso escritor. Sua execução se deu em Bagumbayan
Field, em 30/12/1896, e seu assassino foi instigado por frades católicos,
que viam em sua pena brilhante uma arma mortal contra o regime opressor
espanhol.
Dentre as organizações que se mobilizaram e lutaram
para expulsar os espanhóis do território filipino, uma
das mais importantes foi a KATIPUNAN (semelhante ao Apostolado de
José Bonifácio), uma sociedade secreta fundada pelo
maçom Andres Bonifacio, cujo principal objetivo era conquistar
a independência. O ir:. Bonifácio foi iniciado na Loja
Taliba número 165, filiada ao Grande Oriente Espanhol, em 1892.
O maçom general Emilio Agnaldo, em 12 de junho de 1898, logo
após a expulsão dos espanhóis, proclamou a independência
das Filipinas. Agnaldo mandou colocar o triângulo maçônico
na bandeira das Filipinas, que nela permanece até hoje. Entretanto,
muito pouco tempo depois, os americanos, que haviam ajudado os filipinos
a expulsarem os espanhóis e que haviam prometido dar independência
àquele país, além de não cumprirem sua
promessa, prenderam Agnaldo e tornaram aquela independência
sem efeito. Agnaldo foi elevado a mestre maçom em 01/01/1895,
na Loja Pilar nr 203, em Cavite, Filipinas.
O maçom Manuel Quezon, elevado a mestre em 17/03/1908 na Loja
Maçônica Sinukuan n.º 272, foi eleito pelo povo
filipino em 1935 para governar o país. Quezon foi indicado
pelos americanos e referendado pelo voto popular, tendo recebido a
incumbência de preparar o país para a independência
definitiva, num prazo de 10 anos. Entretanto, em 1942, os japoneses
invadiram o arquipélago das Filipinas e implantaram um regime
de terror na região. Os nipônicos acreditavam que a Maçonaria
era uma organização judaica com objetivo de dominação
mundial. Por isto, perseguiram-na de forma implacável. Inicialmente,
executaram o juiz da Suprema Corte de Justiça, José
Abad Santos, um maçom. Abad foi executado em Malabang por ter
se recusado a cooperar com as autoridades nipônicas. A partir
daí, seguiu-se uma série de execuções.
O Grão-Mestre John R. Macfie, das Grandes Lojas das Filipinas,
quando se encontrava preso no campo de concentração,
foi morto pelos japoneses. O Deputado do Grão-Mestre, José
P. Guido, foi decapitado na frente de sua família. E o Past
Grão Mestre José de los Reyes também foi executado
nesta época. O ir:. Quezon fugiu com sua família para
os EUA, e lá fez gestões junto ao Congresso americano
no sentido de que este promulgasse uma resolução concedendo
a independência às Filipinas. A independência deveria
acontecer após a expulsão dos japoneses, promovida pelas
tropas americanas, com a ajuda de combatentes filipinos. E assim foi
feito. Em 4 de setembro de 1946, as Filipinas conquistaram sua independência,
por meios pacíficos, bem ao estilo do nosso José Bonifácio.
Como no Brasil, também nas Filipinas os maçons se dividiam
entre pombas (à moda de José Bonifacio) e falcões
(à moda de Gonçalves Ledo), com apenas uma diferença:
lá havia ainda os camaleões, ou seja, os vira-casacas.
Esta denominação, camaleões, foi ventilada quando
os japoneses convocaram o Dr. Laurel, da Loja Maçônica
de Batamgas, para que, juntamente com uma equipe de maçons
de sua confiança, formasse um governo fantoche, que servisse
de canal intermediário entre eles e o povo filipino. O Dr.
Laurel justificou sua atitude conivente, dizendo que só havia
aceitado tal proposta movido pelo objetivo de minorar o sofrimento
do povo filipino. Os demais maçons foram para a clandestinidade
e se incorporaram à luta armada.
Elias Mansur Neto
Fonte de consulta
Site oficial das GRANDES LOJAS DE MAÇONS LIVRES E ACEITOS DAS
FILIPINAS http://www.glphils.org/index-page.htm
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